A ENERGIA DOS ALIMENTOS



Todos os dias, para nos mantermos vivos, nosso corpo recebe e utiliza energia. Com essa energia, vinda da nossa alimentação, as células executam complicadas operações biológicas, para que possamos realizar atividades cotidianas como andar, pensar e falar, dentre outras. 

Sabe-se que as células dispõem de duas fontes primárias de energia: os carboidratos (pão, batata, massa, arroz...) e os lipídios (óleos, margarinas, oleaginosas, azeite...). Em algumas circunstâncias, as proteínas (carne, ovo, laticíneos...) e as bebidas alcoólicas também podem servir como fonte de energia. Nosso corpo, literalmente, "queima" carboidratos e gorduras para criar a energia de que precisa. Mas, nem toda a energia dos alimentos (calorias) que consumimos é utilizada pelo corpo para suas necessidades de energia. Cerca de 75% do valor energético dos alimentos consumidos transformam-se simplesmente em calor. Este processo é conhecido como termogênese, literalmente, produção de calor. Por essa razão, a temperatura constante do nosso corpo é 37°C e não, a temperatura ambiente. 

Quando ingerimos energia (calorias) em excesso ou quando seguimos um plano alimentar sem equilíbrio nutricional (erro alimentar), é bem provável que nosso corpo armazene o excedente sob forma de gordura. Esse armazenamento excedente de gordura é um grande fator de risco para o sobrepeso e para a obesidade e, com isso, pode desencadear algumas patologias, como a hipertensão, o diabetes e as doenças do coração, entre outras.

Para todos os interessados em eliminar gordura indesejada, a resposta está em manter um equilíbrio energético e nutricional (qualidade de alimentos) que favoreça a utilização do excesso de gordura como combustível, ou seja, manter um equilíbrio entre o consumo energético e o gasto energético (plano alimentar balanceado + prática de atividade física regular).

Para atingir um equilíbrio energético adequado é necessário reduzir a ingestão de energia, aumentar o gasto energético, ou, idealmente, combinar os dois métodos. Avaliar a qualidade e a quantidade de sua alimentação, sabendo como está o seu consumo energético e a qualidade dos alimentos que estão proporcionando energia para o seu organismo é a resposta. O ideal não é eliminar o consumo de gorduras ou o consumo de carboidratos, como muitos pensam e defendem, mas sim, adequar as quantidades e o tipo de alimento consumido, a fim de proporcionar além do bem- estar físico, eliminando o risco de doenças, o bem estar emocional, pois as pessoas não necessitarão abrir mão de alimentos que gostam de consumir. 

As gorduras são os nutrientes com a maior concentração de valor energético que podemos consumir. Cada grama de gordura alimentar tem nove calorias, enquanto os carboidratos e as proteínas têm apenas quatro calorias por grama. O álcool tem aproximadamente sete calorias por grama. No que se refere ao armazenamento do excesso de energia pelo corpo, deve-se ressaltar que as calorias não são todas iguais e que todos os detalhes em relação aos hábitos alimentares devem ser observados.

As calorias de ordem lipídica são convertidas em gordura com uma eficiência de quase 100%. As calorias provenientes de carboidratos em excesso são convertidas em gordura com uma eficiência de 75%, enquanto as calorias de origem protéica não são praticamente convertidas em gordura. A forma pela qual as calorias de origem alcoólica são convertidas em gordura ainda é objeto de controvérsia, mas ela tem, comprovadamente, efeitos negativos no corpo, especialmente na redução de peso. Uma dieta adequada deve ter equilíbrio entre o consumo de carboidratos, lipídios e proteínas, além disso, o ideal é não consumir bebida alcoólica ou consumir com moderação.

No que diz respeito à eliminação do excesso de gordura, a ciência tem igualmente demonstrado que as calorias não são todas iguais. Também aqui as gorduras alimentares desempenham papel fundamental. Quando reduzimos a ingestão de gordura e alteramos o equilíbrio energético de modo a queimar o excesso de gordura no nosso corpo, ocorre redução de peso. Quando controlamos a ingestão de calorias e de qualidade alimentar para produzir um equilíbrio energético mais favorável e, simultaneamente, reduzimos a percentagem de gorduras na alimentação ou alteramos a qualidade da gordura, conseguimos um controle de peso mais eficaz. 

Os alimentos com alto teor de gordura (maléficos) incluem queijos, sorvetes, gorduras vegetais hidrogenadas, a maior parte das carnes vermelhas gordas e embutidos. Controlar a ingestão de origem lipídica traz uma vantagem quando nos detemos na origem da gordura, se maléfica, ou benéfica.

Podemos comer mais e, ao mesmo tempo, controlar o peso se, em uma dieta com alto teor de gorduras, substituirmos essa ingestão. Por quê? Porque as calorias provenientes das gorduras são superconcentradas, como se pode demonstrar com um exemplo simples: uma pequena porção de manteiga (suficiente apenas para uma fatia de pão) tem 100 calorias! 

É importante ressaltar que, para que o organismo tenha energia para seu funcionamento, as calorias devem ser respeitadas, mas, para que a pessoa tenha uma vida saudável, a qualidade dessas calorias deve ser analisada (equilíbrio nutricional dos alimentos consumidos).

Pense nisso: 1 negrinho ou brigadeiro médio possui 90Kcal (noventa calorias) enquanto que uma maçã possui o mesmo valor energético. O que vale mais a pena consumirmos, quando o assunto é saúde?

Mantenha-se atento!

Fabiana dos Reis Ayres
Nutricionista
CRN2 6314
Especialista em Nutrição Clínica e Terapêutica Nutricional.
Especialista em Qualidade de alimentos
Autora do livro e cd "Lili e a alimentação saudável".
Idealizadora do Espetáculo teatral musical infantil "Lili e o desafio da pirâmide alimentar".


Publicado em 2010





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